Entrevista a Merche Freitas Domenech, Project Manager e Delivery Manager na Sopra Steria
Como surgiu a ideia de colaborar com a Specialisterne?
Na Sopra Steria promovemos a igualdade de oportunidades e trabalhamos para construir um ambiente inclusivo e equitativo, onde o respeito e a diversidade impulsionam os nossos resultados. Através de um contacto interno, conhecemos a Specialisterne e vimos uma grande oportunidade de criar sinergias ao integrar o seu talento na nossa empresa.
Qual é a função da pessoa integrada? Em que consiste o seu dia a dia?
O nosso colega da Specialisterne integrou-se como tester, assegurando a qualidade e o correto funcionamento de aplicações de software no setor aeroespacial, realizando testes funcionais e técnicos para detectar e corrigir erros.
Como foi o processo de integração da pessoa neurodivergente na vossa empresa?
Contámos sempre com o apoio e aconselhamento da Specialisterne, o que facilitou a inclusão da nova pessoa e nos forneceu as ferramentas necessárias. Graças a estas orientações e à excelente receção por parte da equipa, todo o processo decorreu de forma fluida e natural.
Quais são os pontos fortes desta pessoa? Em que se destaca no seu trabalho?
Demonstra uma abordagem rigorosa, detalhista e conscienciosa, qualidades fundamentais para desempenhar com sucesso uma função de testing.
A integração de uma pessoa autista mudou a vossa perceção sobre pessoas neurodivergentes?
Cada pessoa é um mundo e conhecê-las faz-nos evoluir, sem dúvida. Na Sopra Steria, procuramos que a inclusão faça parte das nossas práticas e da nossa cultura, contando com diversos programas e projetos internos e externos para promover a integração no contexto laboral. Quando as organizações oferecem os apoios adequados, criam-se ambientes onde cada pessoa pode desenvolver-se plenamente e contribuir para uma cultura mais aberta, respeitosa e equitativa.
Que benefícios trouxe a inclusão da neurodiversidade à vossa empresa?
A integração de pessoas neurodivergentes ajudou-nos a transformar a perceção sobre estas realidades cognitivas e a reforçar o valor de construir empresas inclusivas. Além disso, promove equipas mais empáticas e coesas, melhora o clima laboral e reforça o compromisso da organização com a igualdade de oportunidades.
Como podem as empresas contribuir para que pessoas autistas tenham as mesmas oportunidades e se sintam valorizadas e incluídas?
Por vezes, a falta de experiência no acolhimento de pessoas neurodivergentes faz com que estas iniciativas sejam encaradas com alguma reserva. No entanto, quando essa primeira barreira é ultrapassada, percebe-se que não há motivo para as ver como um desafio. Pelo contrário: a inclusão demonstra o seu valor desde o primeiro momento. O essencial é oferecer oportunidades e confiar no talento diverso. Cada pessoa traz consigo competências únicas que podem encaixar perfeitamente em diferentes funções, como criatividade, elevada capacidade de concentração ou outras competências especialmente valiosas. Quando damos oportunidade e vemos os bons resultados, avançamos para modelos mais inclusivos. Apostar nisso enriquece a organização e contribui para que pessoas autistas tenham as mesmas oportunidades e se sintam verdadeiramente valorizadas e incluídas.
Que medidas concretas podem adotar os/as/es diretores/as e managers para apoiar a neurodiversidade?
Promover uma cultura de inclusão de perfis neurodivergentes através de medidas como a colaboração com entidades especializadas, como a Specialisterne, que acompanham todo o processo, a formação das equipas, a melhoria da comunicação e da gestão e a criação de espaços flexíveis que favoreçam a inclusão.
Como devem as empresas medir o sucesso das suas iniciativas de neurodiversidade?
Avaliando a satisfação destas pessoas, bem como a das equipas e dos clientes, e analisando indicadores como rotatividade e desempenho.
O que dirias a empresas que ainda não iniciaram programas de neurodiversidade?
Com pequenos ajustes no ambiente e na forma de comunicar, é possível criar uma cultura mais compreensiva e colaborativa, com impacto social direto. Em empresas tecnológicas como a Sopra Steria existem inúmeras oportunidades onde pessoas neurodivergentes se destacam, por exemplo em funções de QA que exigem atenção ao detalhe, memória e foco. Não há razão para não contar com este talento.
