Specialisterne leva a celebração da NDEAM a todo o mundo

nov 5, 2024

Em outubro, os Estados Unidos celebram o Mês Nacional de Sensibilização para o Emprego para Deficientes (NDEAM), uma campanha anual que visa sensibilizar para a importância de incluir as pessoas com deficiência no local de trabalho. Embora o NDEAM seja um evento específico dos EUA, a Specialisterne decidiu celebrá-lo à escala global em todos os países onde opera. Os valores promovidos pela NDEAM estão perfeitamente alinhados com a nossa missão: apoiar a inclusão de pessoas neurodivergentes no local de trabalho e ajudar mais pessoas a encontrar empregos significativos em empresas que valorizam a diversidade.

 

Uma pesquisa global para compreender as necessidades reais

 

Na Specialisterne acreditamos que a inclusão deve ir além de conceitos abstratos ou celebrações específicas: deve ser traduzida em ações concretas. Com este objectivo, lançámos um inquérito global para recolher informação sobre a situação laboral das pessoas neurodivergentes nos países onde operamos. O nosso objetivo não foi apenas recolher dados quantitativos, mas também compreender melhor as suas necessidades específicas, as suas aspirações pessoais e, acima de tudo, o que significa para uma pessoa neurodivergente ter “um bom emprego”.

 

É importante ter em conta que este inquérito inclui muitas respostas de trabalhadores especialistas em neurodivergência (em Espanha, por exemplo, temos muita participação de pessoas do projecto de neurodiversidade Casa Batlló), o que pode contribuir para aumentar as percentagens de emprego, e não oferecem uma representação válida de toda a população neurodivergente. Embora os dados não sejam validados cientificamente devido à amostra não aleatória e à falta de procedimentos científicos rigorosos, ainda assim fornecem informações valiosas sobre as experiências no local de trabalho e as necessidades e desafios que os trabalhadores enfrentam como neurodivergentes à escala internacional. Os destaques desta pesquisa incluem:

 

  • Taxas de emprego: 97% dos inquiridos em Espanha declararam ter um emprego, em comparação com 92% no Canadá, 50% em Itália, 57% no Brasil e 54% nos Estados Unidos.
  • Sentimento de pertença: 87,3% dos inquiridos em Espanha declararam sentir-se parte do seu ambiente de trabalho, enquanto este número desceu para 57,1% em Itália, 46,1% no Brasil, 32,4% nos EUA e 28% no Canadá.
  • Acesso às adaptações: 75,3% dos inquiridos em Espanha declararam ter feito as adaptações necessárias, enquanto apenas 46,8% em Itália, 35,7% no Brasil, 28% no Canadá e 22,9% nos EUA afirmaram o mesmo .

 

Conclusões: A necessidade de locais de trabalho flexíveis e inclusivos que respeitem as necessidades neurodivergentes é universal, mas muitas vezes não satisfeita.

 

O trabalho ideal segundo pessoas neurodivergentes

 

Embora aspetos como a flexibilidade e o sentimento de valorização sejam desejáveis ​​para todas as pessoas, podem ser elementos decisivos para os trabalhadores neurodivergentes, uma vez que as suas necessidades sensoriais e cognitivas são mais sensíveis a fatores como o ruído, a previsibilidade e o apoio dos gestores. Estes fatores influenciam significativamente o bem-estar dos colaboradores neurodivergentes e a sua capacidade de prosperar no trabalho. Para além dos números, as respostas qualitativas que recolhemos oferecem uma visão muito interessante sobre as necessidades e aspirações das pessoas neurodivergentes no local de trabalho. Quando lhes perguntámos como deveria ser “um bom emprego”, concordaram num denominador comum: a necessidade de um ambiente flexível e inclusivo que se possa adaptar às características individuais.

 

“Um ambiente tranquilo e sem distrações é essencial.” – Resposta de um inquirido, Itália.

 

Em Itália, os participantes descreveram o seu trabalho ideal como aquele que oferecesse “um horário e um ambiente flexíveis, para permitir um trabalho calmo e sem distrações”. Outro inquirido imaginou um local de trabalho livre de ruídos perturbadores e respeitador das diferenças, demonstrando como é importante para muitas pessoas neurodivergentes trabalhar em espaços que respeitem as suas necessidades de sensibilidade e concentração.

 

Em Espanha, os participantes destacaram a importância da autonomia e da compreensão, salientando que o trabalho ideal “é aquele em que me posso organizar sem pressão excessiva”. Uma pessoa autista com PHDA também expressou a necessidade de ter um gestor que possa fazer adaptações quando necessário, pois mesmo pequenos ajustes podem fazer uma diferença significativa na experiência de trabalho.

 

“O meu trabalho ideal é aquele em que não tenho de esconder quem sou, em que posso ser autista sem ser julgado.” – Adriano, Brasil.

 

No Brasil, destaca-se a mesma necessidade de apoio e compreensão. Fábio, um inquirido autista, explicou: “Para mim é fundamental ter um trabalho que não seja stressante, onde possa contribuir de acordo com as minhas capacidades, sem expectativas irrealistas”. Estas respostas reflectem uma profunda necessidade de aceitação e autenticidade sem sacrificar a identidade de alguém para se adaptar a ambientes demasiado rígidos.

 

No Canadá e nos Estados Unidos, a clareza dos calendários e a estabilidade económica vêm ao de cima. Um participante canadiano descreveu o trabalho ideal como um ambiente onde não é necessário “mascarar” e onde é possível um horário flexível, enquanto outro participante com PHDA enfatizou a importância de um horário de trabalho claro e estável para ter o melhor desempenho. Nos Estados Unidos, uma pessoa observou que “um bom trabalho é aquele que reconhece o meu valor e me oferece estabilidade financeira”, um aspeto que é frequentemente esquecido nas conversas sobre inclusão.

 

Estes testemunhos convidam-nos a refletir sobre o que significa realmente “inclusão” num contexto empresarial. Não se trata apenas de contratar pessoas neurodivergentes, trata-se de criar condições para que prosperem, se sintam respeitadas e possam contribuir genuinamente para o trabalho. Ouvir estas vozes não é apenas um ato de inclusão: é uma oportunidade para construir locais de trabalho mais humanos, onde todos se possam sentir valorizados e contribuir com os seus talentos únicos.

 

Uma perspetiva global: desafios e oportunidades por país

 

Em todos os países participantes, muitas pessoas indicaram que estão actualmente empregadas. No entanto, mesmo para aqueles que têm emprego, a criação de ambientes de trabalho verdadeiramente inclusivos que se adaptem às suas necessidades únicas continua a ser um desafio constante.

 

Em Itália, os inquiridos enfrentam frequentemente obstáculos devido à falta de flexibilidade no local de trabalho, o que apontam como uma barreira à verdadeira inclusão. Muitas opções selecionadas como a necessidade de ambientes mais calmos e flexíveis, bem como o desejo de desempenhar funções que melhor se adaptem às suas capacidades, em vez de empregos abaixo da sua formação ou limitados a contratos temporários.

 

Em Espanha, os participantes partilharam uma opinião positiva sobre o emprego, embora tenham igualmente sublinhado a necessidade de os locais de trabalho oferecerem alojamento e evitarem a “sobrequalificação”. Um número significativo expressou a importância de um ambiente em que os líderes seniores se esforcem ativamente por compreender e respeitar as necessidades neurodivergentes.

 

Nos Estados Unidos e no Canadá, os entrevistados ofereceram perspectivas mais pessoais. Um participante canadiano observou: “As deficiências de fala dificultam o sucesso das entrevistas de emprego”, sublinhando a necessidade de práticas de contratação mais inclusivas. Outra pessoa partilhou as suas dificuldades em encontrar locais de trabalho que possam acomodar animais de apoio emocional, dizendo: “Tenho um ESA (cão de apoio emocional) que me ajuda, mas encontrar ambientes de trabalho que acomodem esta necessidade é um desafio”.

 

Os participantes brasileiros destacaram preocupações semelhantes, com muitos a apontarem barreiras como chegar à fase de entrevista, mas a terem muitos problemas para avançar no processo de seleção. Esta experiência, partilhada em vários países, evidencia um obstáculo comum às pessoas neurodivergentes. Além disso, os entrevistados indicaram que a falta de experiência profissional nos seus currículos restringia as suas perspectivas de emprego. Estas respostas sublinham a necessidade de práticas de contratação mais acessíveis e inclusivas que reconheçam plenamente os talentos neurodivergentes e se adaptem às necessidades específicas.

 

Olhando para o futuro da inclusão

 

Os dados recolhidos realçam que as pessoas neurodivergentes enfrentam inúmeros desafios, tanto no acesso ao emprego como na manutenção de um emprego que satisfaça as suas necessidades. Para a Specialisterne, estes resultados são inestimáveis ​​porque nos mostram o que as pessoas neurodivergentes realmente precisam para trabalhar no seu melhor e encontrar um emprego significativo, dado que as taxas reais de emprego continuam baixas em muitos países.

 

É por isso que a NDEAM é uma iniciativa crucial para nós. Permite-nos concentrar-nos numa questão que é muitas vezes esquecida: a acessibilidade e a inclusão laboral das pessoas com deficiência, especialmente das pessoas neurodivergentes. O inquérito deixou claro que, enquanto sociedade, temos de nos comprometer a eliminar as barreiras – sociais, físicas, cognitivas, sensoriais e comportamentais – que dificultam o acesso das pessoas neurodivergentes ao emprego. Contudo, não se trata apenas de garantir empregos; Trata-se de oferecer empregos dignos, bem remunerados e estáveis, que estimulem o crescimento pessoal e profissional.

 

Na Specialisterne acreditamos firmemente que a inclusão não deve ser simplesmente uma palavra sem sentido ou uma prática de caridade; Deve ser um processo mutuamente enriquecedor que beneficie todas as partes envolvidas, desde as pessoas neurodivergentes aos colegas neurotípicos e a toda a empresa. Criar ambientes onde as diferenças sejam valorizadas, onde as pessoas neurodivergentes possam trabalhar sem obstáculos e com o apoio necessário, promove uma mudança que traz benefícios individuais e coletivos. Quando a inclusão é autêntica, não só enriquece as pessoas envolvidas, como transforma toda a organização num local de trabalho mais equitativo, criativo, resiliente e inovador.

 

Num ambiente de trabalho em rápida evolução, compreender e abraçar as necessidades das pessoas neurodivergentes é uma decisão estratégica que permite às empresas inovar e atrair talento com perspetivas e competências únicas. Através da celebração global da NDEAM, na Specialisterne, esperamos que cada vez mais empresas reconheçam o valor da diversidade e adotem práticas inclusivas não apenas como uma responsabilidade social, mas como uma oportunidade de crescimento e valor acrescentado.

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